Sexta-feira, Abril 11, 2008

A mentira veste vermelho.
















O dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está há mais de quinze dias sem pai nem mãe. Revelado por VEJA há duas semanas, o dossiê é uma compilação de despesas do ex-presidente, da ex-primeira-dama Ruth Cardoso e de alguns de seus principais ministros entre 1998 e 2002. O papelório foi produzido na Casa Civil da Presidência da República e usado para intimidar parlamentares que pretendiam investigar despesas do presidente Lula e de sua família na CPI dos Cartões. Desde que VEJA comprovou a existência do dossiê, o governo já apresentou inúmeras versões para o mesmo fato. Na semana passada, surgiu mais uma.
O governo levantou a suspeita de que o dossiê teria sido produzido por um funcionário infiltrado pela oposição. O presidente Lula chegou a afirmar que as informações sigilosas foram "roubadas" e que a ministra Dilma Rousseff, a chefe da Casa Civil, é vítima de "chantagem política". Lula não disse quem roubou os dados nem explicou por que a ministra estaria sendo chantageada. Por que o hostil "ladrão" roubaria dados da era FHC e não da era Lula é apenas mais um dos enigmas que as explicações oficiais acabam criando em torno do caso. O maior dos enigmas continua de pé desde o primeiro dia: por que motivo todo o esforço oficial está em tentar encobrir a identidade de quem, dentro do Palácio do Planalto, mandou produzir o dossiê? Fatos são coisas teimosas. Eles não somem por decreto.


Na semana passada, a Folha de S.Paulo publicou fotografias de telas de computadores instalados na Casa Civil da Presidência da República. As imagens foram usadas pelo jornal para sustentar que o dossiê não foi roubado por nenhum agente secreto. Ele existe nos discos rígidos dos computadores da Casa Civil da forma como veio a público e como VEJA divulgou há duas semanas. Em vez de armazenar dados universais, como seria o caso de um banco de dados administrativo, o dossiê concentra-se em gastos com miudezas, como produtos de higiene pessoal, e despesas com bebidas alcoólicas, comidas raras, restaurantes caros e hotéis de luxo, entre outros itens potencialmente desconcertantes quando pagos com dinheiro público. As fotografias mostram que o dossiê começou a ser produzido na Casa Civil no dia 11 de fevereiro passado, conforme relatado por VEJA em sua última edição, e revelam o horário exato em que o arquivo digital foi criado – 15h28. No total, o arquivo tem 532 lançamentos distribuídos em 27 páginas. Há pastas específicas nas quais estão armazenados gastos da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, de três ex-ministros do governo tucano e até da ex-chef da cozinha do Palácio da Alvorada, Roberta Sudbrack.
Até a semana passada, as versões oficiais protegiam a secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, a principal suspeita de ter comandado a operação que vasculhou as despesas sigilosas de Fernando Henrique, seus ministros e familiares. A ministra admitiu que Erenice coordenava a produção de um banco de dados sobre gastos dos governos atual e passado, mas negou que sua principal assessora tenha produzido o dossiê. As novas evidências de que o dossiê foi produzido e armazenado dentro da Casa Civil, em um sistema fora da malha de dados oficial, complicaram ainda mais o caso. Na sexta-feira passada, a ministra Dilma Rousseff convocou uma entrevista coletiva para passar a limpo a questão. Sempre assertiva e clara em suas explicações sobre as ações do governo, a ministra esteve irreconhecível na entrevista. Dilma disse que "as pastas de computador" – ela não aceita a expressão dossiê para designar a compilação de dados – publicadas na imprensa podem ser "falsas ou verdadeiras", como se houvesse um terceiro estado para esse tipo de coisa. "Não descartamos nenhuma hipótese", afirmou ela. Sobre o responsável pelo dossiê, admitiu que pode ser obra de algum "agente secreto com crachá", mas não forneceu detalhes sobre essa suspeita.
A verdade é que o governo, até agora, se esforçou apenas para descobrir a identidade de quem repassou as informações do dossiê à imprensa, e capitula na hora de tentar apontar quem o produziu. Ainda sob o pretexto de encontrar o "vazador", seria natural que a Polícia Federal fosse chamada para investigar o caso. Peritos criminais poderiam acessar os computadores do Palácio do Planalto e colher pistas sobre o autor do dossiê – ou "vazador" como prefere o Planalto. Em vez de acionar a PF, a Casa Civil optou por manter a investigação sob seu controle, instaurando apenas uma sindicância. Um dos servidores que acompanharam de perto a produção do dossiê, ouvido por VEJA, diz que os funcionários envolvidos, oito no total, ameaçam detalhar a cadeia de comando da produção do dossiê caso alguém, que apenas cumpriu ordens, seja responsabilizado pelo escândalo. Pode estar aí a explicação para a cortina de fumaça que se tenta criar.

Zombando de nós, por André Petry

O gangsterismo político de montar um dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e sua mulher só foi possível porque existe a lei do sigilo das despesas presidenciais. E por que os gastos da família presidencial precisam ser secretos? Por razões de segurança, diz o governo. Além do decreto do sigilo, de 1967, o atual governo, em 2003, editou uma norma reforçando que tais gastos são sigilosos – por razões de segurança. De 2003 para cá, Lula e família gastaram 11,6 milhões de reais e, por razões de segurança, o país não sabe com quê.Se divulgar tais despesas comprometesse a segurança, a rainha da Inglaterra já teria ido pelos ares numa carruagem-bomba. Em 2002, ano em que Lula venceu a primeira eleição presidencial, a rainha da Inglaterra divulgou seus gastos pela primeira vez. Disse que passaria a fazê-lo todos os anos como prova de seu comprometimento com a transparência no trato do dinheiro público. Como se sabe, a rainha da Inglaterra não é eleita, nem precisa de votos. Mas precisa de respeito.Naquele primeiro ano, sua prestação de contas ocupava mais de 160 páginas. Trazia minúcias. Informava que o gasto com vinho e outras bebidas caíra de 135.000 libras para 97.000. Deliciosamente, explicava que a queda não se devia à redução no consumo, mas à baixa qualidade da safra, o que levou a rainha a reduzir o tamanho da adega. Em festas no jardim, a rainha gastou 442.000 libras. Em aluguel de tendas para as festas, 5.000 libras menos que no ano anterior, porque trocou as tendas coloridas pelas de uma cor só, que são mais baratas. Com lavanderia, a família real gastou 61 000 libras. Energia elétrica, 323 000 libras. Telefone, 690 000. Veterinário para os cavalos, 19 000. Aluguel de helicóptero para uma viagem do duque de Kent, 5 278 libras – e mais a explicação de por que o duque foi de helicóptero e não de carro ou trem, que é mais barato.De 2002 para cá, a divulgação dos gastos da realeza britânica tem sido sempre assim: anual, pública e detalhada. Só não contempla tudo porque exclui – adivinha o quê? – os gastos com segurança. Não se informa nem o montante geral, para não dar pista aos terroristas sobre a dimensão do aparato que protege a família real. O resto todo, os ingleses ficam sabendo. Alguns contestam. Os republicanos dizem que o gasto de 2007, de 37,3 milhões de libras, é "fantasia". Alegam que, na verdade, a despesa é quatro vezes maior. Pode ser. Mas nem monarquistas nem republicanos dizem que divulgar gasto com helicóptero ou vinho ameaça a segurança.Pode-se alegar que o atual modelo de sustento da família real na Inglaterra foi estabelecido em 1760, no reinado de George III, e que se passaram 250 anos para que se desse publicidade aos gastos. Mas, se uma velha monarquia é capaz de sintonizar-se com os novos tempos, é razoável que um governo republicano de uma democracia jovem também o seja. A menos que esteja promovendo uma folia com o dinheiro público – ou não queira abrir mão do gangsterismo político. O resultado é que zombam de nós. Os brasileiros conhecem o gasto da rainha da Inglaterra com vinho, mas o governo nos diz que não podemos conhecer o gasto de Lula com champanhe – só o de FHC, claro.

Zombando de nós, por André Petry

O gangsterismo político de montar um dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e sua mulher só foi possível porque existe a lei do sigilo das despesas presidenciais. E por que os gastos da família presidencial precisam ser secretos? Por razões de segurança, diz o governo. Além do decreto do sigilo, de 1967, o atual governo, em 2003, editou uma norma reforçando que tais gastos são sigilosos – por razões de segurança. De 2003 para cá, Lula e família gastaram 11,6 milhões de reais e, por razões de segurança, o país não sabe com quê.Se divulgar tais despesas comprometesse a segurança, a rainha da Inglaterra já teria ido pelos ares numa carruagem-bomba. Em 2002, ano em que Lula venceu a primeira eleição presidencial, a rainha da Inglaterra divulgou seus gastos pela primeira vez. Disse que passaria a fazê-lo todos os anos como prova de seu comprometimento com a transparência no trato do dinheiro público. Como se sabe, a rainha da Inglaterra não é eleita, nem precisa de votos. Mas precisa de respeito.Naquele primeiro ano, sua prestação de contas ocupava mais de 160 páginas. Trazia minúcias. Informava que o gasto com vinho e outras bebidas caíra de 135.000 libras para 97.000. Deliciosamente, explicava que a queda não se devia à redução no consumo, mas à baixa qualidade da safra, o que levou a rainha a reduzir o tamanho da adega. Em festas no jardim, a rainha gastou 442.000 libras. Em aluguel de tendas para as festas, 5.000 libras menos que no ano anterior, porque trocou as tendas coloridas pelas de uma cor só, que são mais baratas. Com lavanderia, a família real gastou 61 000 libras. Energia elétrica, 323 000 libras. Telefone, 690 000. Veterinário para os cavalos, 19 000. Aluguel de helicóptero para uma viagem do duque de Kent, 5 278 libras – e mais a explicação de por que o duque foi de helicóptero e não de carro ou trem, que é mais barato.De 2002 para cá, a divulgação dos gastos da realeza britânica tem sido sempre assim: anual, pública e detalhada. Só não contempla tudo porque exclui – adivinha o quê? – os gastos com segurança. Não se informa nem o montante geral, para não dar pista aos terroristas sobre a dimensão do aparato que protege a família real. O resto todo, os ingleses ficam sabendo. Alguns contestam. Os republicanos dizem que o gasto de 2007, de 37,3 milhões de libras, é "fantasia". Alegam que, na verdade, a despesa é quatro vezes maior. Pode ser. Mas nem monarquistas nem republicanos dizem que divulgar gasto com helicóptero ou vinho ameaça a segurança.Pode-se alegar que o atual modelo de sustento da família real na Inglaterra foi estabelecido em 1760, no reinado de George III, e que se passaram 250 anos para que se desse publicidade aos gastos. Mas, se uma velha monarquia é capaz de sintonizar-se com os novos tempos, é razoável que um governo republicano de uma democracia jovem também o seja. A menos que esteja promovendo uma folia com o dinheiro público – ou não queira abrir mão do gangsterismo político. O resultado é que zombam de nós. Os brasileiros conhecem o gasto da rainha da Inglaterra com vinho, mas o governo nos diz que não podemos conhecer o gasto de Lula com champanhe – só o de FHC, claro.

Quarta-feira, Outubro 17, 2007

Os tempos mudaram? Os Herodes de ontem e os Herodes de hoje.





A sede de sangue e a covardia dos políticos do passado não mudaram em nada em nossa época. O que mudou foi a entrada de líderes religiosos num jogo de poder que envolve, como sempre, o derramamento de sangue dos inocentes.

No primeiro século da era cristã, o rei Herodes, representante do Estado, queria matar crianças, mas não há registro de líderes religiosos apoiando a matança.
Fonte: Mateus 2:16-18.

Em pleno século 21, Lula, representante do Estado, quer a legalização do assassinato de crianças mediante o aborto. Há registro de um líder religioso apoiando: Bispo Edir Macedo. O rei Herodes do passado tinha seus motivos para assassinar crianças. Os Herodes de hoje também têm seus motivos.
Bispo Edir Macedo e a promoção do aborto
Bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, defende abertamente o assassinato de crianças mediante o aborto, conforme entrevista dada ao jornal Folha de S. Paulo em 13 de outubro de 2007:
FOLHA Em sua biografia, o sr. defende o aborto. Atualmente, a Record e a Record News exibem campanha pelo aborto. Por quê?
MACEDO : Sou favorável à descriminalização do aborto por muitas razões. Porém, aí vão algumas das mais importantes:
1) Muitas mulheres têm perdido a vida em clínicas de fundo de quintal. Se o aborto fosse legalizado, elas não correriam risco de morte;
2) O que é menos doloroso: aborto ou ter crianças vivendo como camundongos nos lixões de nossas cidades, sem infância, sem saúde, sem escola, sem alimentação e sem qualquer perspectiva de um futuro melhor? E o que dizer das comissionadas pelos traficantes de drogas?
3) A quem interessa uma multidão de crianças sem pais, sem amor e sem ninguém?
4) O que os que são contra o aborto têm feito pelas crianças abandonadas?
5) Por que a resistência ao planejamento familiar? Acredito, sim, que o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, haja vista não haver uma política séria voltada para a criançada.
FOLHA: Deus deu a vida e só Ele pode tirá-la, segundo a Bíblia. Não é contraditório um líder cristão defender o aborto?
MACEDO : A criança não vem pela vontade de Deus. A criança gerada de um estupro seria de Deus? Não do meu Deus! Ela simplesmente é gerada pela relação sexual e nada mais além disso. Deus deu a vida ao primeiro homem e à primeira mulher. Os demais foram gerados por estes.
O que a Bíblia ensina é que se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele (Eclesiastes 6.3). Não acredito que algo, ainda informe, seja uma vida.
FOLHA : O sr. é a favor do uso de embriões humanos pela medicina?
MACEDO : Sou a favor, sim.
Os desejos do Bispo Edir Macedo estão sendo atendidos pelo governo do seu amigo Lula, conforme informação do Pró-Vida de Anápolis.

O governo Lula e a promoção do aborto
Em 8 dezembro de 2004, a secretária Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), diretamente subordinada ao Presidente da República, lançou o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, em que a revisão da lei penal sobre o aborto era uma das prioridades.
Em 15 de dezembro de 2004, o Ministro da Saúde Humberto Costa lançou a Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento, toda ela voltada para fomentar a impunidade do aborto.
No dia 24 de março de 2005, o Presidente Lula sancionou a Lei de Biossegurança (Lei 11.105/2005), tendo o cuidado de vetar alguns dispositivos, mas mantendo intacto o art. 5°, que permite a destruição de embriões humanos.
No dia 28 de março de 2005, o Presidente Lula sancionou a Lei 11.106/2005, que, entre outras coisas, excluiu o crime de adultério (art. 240) do Código Penal.
No dia 7 de julho de 2005, o Ministro Humberto Costa assinou a Portaria 1145, que Dispõe sobre o Procedimento de Justificação e Autorização da Interrupção da Gravidez nos casos previstos em lei [sic], no âmbito do Sistema Único de Saúde. Tal portaria, que oficializou a prática do aborto no SUS, foi substituída em 1º de setembro de 2005 pela Portaria 1508, do novo Ministro da Saúde Saraiva Filipe, com a novidade de conter um formulário pronto para a falsificação de estupros e o aborto em série.
No dia 27 de setembro de 2005, a secretária especial de Políticas para Mulheres Nilcéa Freire entregou à Câmara dos Deputados o anteprojeto de descriminalização do aborto elaborado por uma Comissão Tripartite A proposta normativa do governo, consagrando o aborto como um direito inalienável de toda mulher, e propondo sua total liberação, foi adotada em 4 de outubro de 2005 pela deputada Jandira Feghali (PC do B/RJ), como substitutivo ao Projeto de Lei 1135/91.

As declarações do Bispo Macedo foram publicadas um dia depois do Dia das Crianças. Enquanto os cristãos estavam celebrando as crianças como bênção de Deus, um homem que se diz cristão e bispo prega e apóia a morte das crianças.

Sim, os tempos mudaram. No passado e até mesmo no presente, os Herodes eram uma espécie que dava para se achar somente no governo. Hoje, eles também estão nas igrejas.

Fonte: Blog Julio Severo




Terça-feira, Outubro 16, 2007

PRIVATARIA

Nunca na história deste país um governo foi tão servil às empreiteiras multinacionais. Uma privataria!
Quer dizer que o governo Lula entrega o patrimônio nacional para empresas estrangeiras e não cobra nem um centavo por isso? De graça, as companhias espanholas vão ficar 25 anos cobrando pedágio e ganhando dinheiro com estradas construídas com imposto pago pelo contribuinte brasileiro! Quer dizer que o governo Lula monta um modelo de privatização que favorece o capital estrangeiro? Só multinacionais, que trazem capital de fora, mais barato, conseguem assumir pedágios tão baixos. Mais ainda: o dólar tão barato, outra proeza de Lula, favorece os estrangeiros, pois a tarifa em dólar fica maior e as companhias gastarão menos reais para enviar seus polpudos lucros aos acionistas lá fora. Nunca na história deste país um governo foi tão servil às empreiteiras multinacionais. Uma privataria!
Essa turma que pede a reestatização da Vale, por ter sido vendida a "preço de banana", não vai pedir uma "CPI da doação das estradas"? Aliás, deveria ser uma CPI ampliada, pois a Vale, entregue por FHC, acaba de ganhar de Lula um trecho enorme da Ferrovia Norte-Sul. Isso aí, pessoal. Quem quiser pode usar os motes acima, sem pagar direitos autorais. Tão de graça quanto as rodovias. Agora, está mesmo muito engraçado observar Lula, seus ministros e os formadores da opinião de esquerda defenderem seu modelo de privatização de rodovias. Muitos começam por apresentar a ressalva: não é privatização, é concessão. Tudo bem: concessão de uma via pública, construída pelo Estado, para uma empresa privada explorá-la por 25 anos, conforme regras, mas sempre sob a "ótica do lucro". Depois, segue o argumento, ao contrário da privatização tucana, com seus pedágios caros e "elitistas", a privatização, perdão, a concessão petista é popular-democrática, pois cobra pedágios bem baratinhos. Assim é, temos agora uma privatização tucana e outra petista. E - quer saber? - ficou melhor para o País. Resta uma discussão de método, os dois lados concordando que a empresa privada, nacional ou estrangeira, é mais competente para operar e oferecer ao usuário uma estrada de qualidade e eficiente para negócios e turismo. Isso posto, eis algumas observações razoáveis sobre o tema: Modelo de concessão - o governo, poder concedente, "dono" da estrada, pode ou não cobrar pela outorga da concessão. No primeiro caso, seria como cobrar um aluguel. As duas modalidades têm justificativas. Quando cobra, o governo faz caixa para, por exemplo, investir em estradas menos rentáveis (modelo adotado em São Paulo). Quando há cobrança, ganha o leilão a empresa que oferecer o pagamento mais alto, dentro de um padrão para os pedágios. Obviamente, o custo da operação é maior, de onde sai um pedágio mais caro. Já no caso dos últimos leilões federais, o governo Lula decidiu não cobrar a outorga. Ganhou a empresa que ofereceu pedágio mais barato. É um critério mais simples, melhor para o usuário, pior para o governo. De todo modo, o governo Lula pode se dar ao luxo de perder essa receita, pois está arrecadando como nunca na história deste país. Exigências impostas à concessionária - mais ou menos investimentos no início do contrato, maior ou menor qualidade do piso, quando se inicia a cobrança do pedágio. No caso do último leilão das sete rodovias federais, técnicos dizem que há exigências menores para o piso, por exemplo. A cobrança do pedágio é imediata, enquanto no caso das privatizações feitas em São Paulo (no governo Mário Covas), essa cobrança se fazia depois de feita parte das obras. Com isso o fluxo de caixa é menor, o custo da operação é maior. O ambiente macroeconômico - em momento de instabilidade, inflação e desarranjo das contas públicas, as empresas privadas só fazem negócio com o governo se tiverem garantias de que a rentabilidade não será reduzida. Preços começam mais elevados para prevenir choques futuros, como inflação ou desvalorização da moeda local. Por exemplo: a empresa estrangeira topa um pedágio de R$ 1,80, o equivalente a US$ 1. De repente, o real se desvaloriza e a cotação vai a R$ 3,60, fazendo com que a tarifa caia a US$ 0,5. E é evidente que o ambiente macroeconômico hoje é muito superior ao do momento em que foram feitas as concessões mais antigas. Há razoável convicção de que não haverá inflação, que os juros vão cair e que o dólar não vai disparar. Capacidade das empresas privadas - concessão de rodovias (e outros serviços) é um negócio relativamente novo. Só agora existem muitas companhias internacionais, entre as quais as espanholas, que desenvolveram enorme capacidade no setor. O Aeroporto de Heathrow, em Londres, é de propriedade de uma empreiteira espanhola. Por isso, no último leilão brasileiro, apareceram tantas empresas competindo. Isso é outro fator que derruba os preços. E mais: pedágio barato não é garantia de sucesso da operação. Em alguns países, como no México, o fracasso de concessões de rodovias teve como causa justamente o preço baixo do pedágio e os prazos menores de concessão (abaixo dos 20 anos). Com isso, as concessionárias, a um determinado momento, perceberam que não obteriam o retorno do capital e pararam de investir. O barato saiu caro. Por isso cuidado com as comparações entre os preços da última licitação e os das anteriores. O que sabemos é que as atuais estradas privatizadas vão muito bem, obrigado. São as melhores do País, têm o menor número de acidentes. O modelo funcionou. O novo modelo, dos pedágios baratos, ainda não foi testado - e só vai ser testado mesmo sabem quando? No próximo governo, no mesmo período, 2010/2011, em que se saberá se o novo modelo lulista deu conta do fornecimento de energia. É preciso admitir: na política e na mídia, o cara é craque.
Por Carlos Alberto Sardenberg - jornalista

Sexta-feira, Outubro 12, 2007

Votando no Capitão



Quem quer que tenha acompanhado as minhas aulas sobre a “teoria dos quatro discursos” – e, graças à internet, é um bocado de gente, a esta altura – sabe que uma das principais dificuldades na arte da palavra é a mudança de clave do discurso poético para o retórico. Ninguém faz isso direito, porque a primeira das duas modalidades está focalizada na exteriorização de percepções íntimas, a segunda no manejo deliberado das reações do ouvinte ou leitor. Expressão é uma coisa, persuasão é outra. Nos dois casos, trata-se de criar uma verossimilhança, mas a verossimilhança poética é pura coerência entre imagens, a retórica um acordo bem dosado entre o que você quer dizer e o que o público quer ouvir. Por isso o discurso poético se dirige a um auditório geral e indefinido, abrindo-se à multiplicidade imprevisível das interpretações que lhe dêem, ao passo que o retórico se dirige a uma platéia em particular, permanecendo ineficaz sobre as demais, exceto se ouvido como mera produção poética, desligada dos fins práticos a que visava originalmente.
Daí o fenômeno, tão repetidamente comprovado, de que o artista narrador, seja no romance, no teatro ou no cinema, não tenha controle quase nenhum sobre o sentido político-ideológico da história que narra, o qual sentido não depende da narrativa em si, mas dos fatos do mundo exterior – remotos e fora do alcance do artista -- a que a platéia associe os episódios narrados, fazendo destes o símbolo daqueles.
Gênios do porte de um Stendhal ou de um Balzac não venceram essa dificuldade – por que deveríamos exigi-lo dos nossos miúdos cineastas tupiniquins? Todos eles são mais comunistas que a peste, mas isso não impediu que em “Central do Brasil” o menino perdido, fugindo do inferno urbano, encontrasse no Brasil rural os antigos valores que são a essência mesma do conservadorismo: a família, a religião, a segurança, o amor ao próximo. Nem que “Cidade de Deus” resultasse numa apologia do que pode haver de mais reacionário e pequeno-burguês: subir na vida por meio do trabalho honesto.
Agora, José Padilha é crucificado pela esquerda porque em “Tropa de Elite”, pela primeira vez, o cinema nacional mostra a violência carioca pelo ponto de vista da polícia, que é o dos cidadãos comuns, e não pelo dos bandidos, que é o da classe artística, dos “formadores de opinião” e do beautiful people esquerdista em geral. Padilha não fez isso porque queria, mas porque, tendo optado por uma narrativa realista, teve de ceder à coerência interna entre os vários elementos factuais em jogo, mostrando as coisas como elas aparecem aos olhos de qualquer pessoa que esteja boa da cabeça e não tenha se intoxicado nem de cocaína nem de Michel Foucault, como o fazem aqueles três grupos de criaturas maravilhosas. O resultado é que no seu filme os traficantes são assassinos sanguinários, os policiais corruptos são policiais corruptos, os policiais bons são homens honestos à beira de um ataque de nervos, os estudantes esquerdistas metidos a salvadores do país são clientes que alimentam o narcotráfico e mantêm o país na m.... Todo mundo sabe que a vida é assim, e é por isso que instintivamente todo mundo acha que descer a mão em bandidos, por ilegal que seja, é incomparavelmente menos grave do que o imenso concurso de crimes – guerrilha urbana, homicídios, seqüestros, assaltos, contrabando, corrupção política – que o narcotráfico traz consigo. Daí que, entre as razões do policial idôneo e as da bandidagem – que são as mesmas da esquerda iluminada --,

o povo já tenha feito sua escolha:

Capitão Nascimento para presidente.

Por: Olavo de Carvalho

Jornal do Brasil, 11 de outubro de 2007

Segunda-feira, Outubro 08, 2007

Homenagem ao Ex-Presidente Emílio Garrastazu Médici


JÁ QUE A CORJA QUE SE ENCONTRA NO PODER HOJE PREFERE HOMENAGEAR O GUERRILHEIRO E ASSASSINO CHE GUEVARA, NÓS, CIDADÃOS DE BEM HOMEAGEAREMOS OS GRANDES HOMENS QUE JÁ ESTIVERAM NO PODER E REALMENTE FIZERAM O BRASIL CRESCER

HOMENAGEM AOS 22 ANOS DE FALECIMENTO

GAL. EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI

Mandato: 30 de outubro de 1969 até15 de março de 1974
Vice-presidente:
Augusto Rademaker
Data de nascimento:
4 de dezembro de 1905
Local de nascimento:
Bagé (RS)
Data da morte:
9 de outubro de 1985
Local da morte:
Rio de Janeiro (RJ)
Primeira-dama: Scyla Gaffré Nogueira
Partido político:
ARENA
Profissão: M
ilitar
General Emílio Garrastazu Médici, 28º presidente do Brasil.

Filho de mãe uruguaia de ascendência basca, da cidade de
Paysandú e neto de um combatente maragato, estudou no Colégio Militar de Porto Alegre. Formando-se oficial na Escola Militar de Realengo (1924-1927). Foi a favor da Revolução de 30 e contra a posse de Goulart em 1961. Em abril de 1964 era o Comandante da Academia Militar de Agulhas Negras. Posteriormente foi nomeado adido militar nos Estados Unidos e, em 1967 sucedeu a Golbery do Couto e Silva na chefia do SNI. Em 1969, foi nomeado comandante do III Exército.O general Medici governou o país durante o regime militar, sendo o seu governo conhecido como os anos de chumbo da ditadura, devido à repressão promovida à oposição durante seu governo.
Já na versão dos partidários de Médici, que obtiveram maciça vitória eleitoral em 1970 e 1972, Médici livrou o país da guerrilha comunista e do terrorismo.
Foi o período durante o qual o país viveu o chamado "Milagre Brasileiro": crescimento econômico e projetos como a Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói foram a tônica daquele período.
No seu governo concluiu-se o acordo com o Paraguai para construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional, até hoje (2007) a hidrelétrica de maior potência instalada do mundo. Foi também executado o Plano de Integração Nacional (PIN), que permitiu a construção das rodovias Santarém-Cuiabá, Perimetral Norte e da ponte Rio-Niterói. No campo social, foi criado o Plano de Intergração Social (PIS) e o Programa de Assistência Rural (PRORURAL), ligado ao FUNRURAL, que previa benefícios de aposentadoria e o aumento dos serviços de saúde até então concedidos aos trabalhadores rurais.
A euforia provocada pela conquista da
Copa do Mundo de futebol (Médici dizia-se torcedor do Grêmio), em 1970 conviveu com a repressão velada ou explícita aos opositores do regime, notadamente os ativistas de orientação comunista.
Ao se retirar da Presidência da República, abandonou a vida pública. Declarou-se contrário à anistia política assinada pelo presidente João Figueiredo (que havia sido chefe da Casa Militar durante seu governo).
Citação:

"Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranqüilizante após um dia de trabalho."
Emílio Garrastazu Médici